Em quatro dias (próximo sábado, dia 16) é o meu aniversário. Então, quem me conhece sabe que o meu ano começa agora. É o meu vigésimo quarto ano de vida fora aquelas mudanças evolutivas do pensamento e do modo de ver a vida, materialmente não mudou muita coisa de quando eu fiz vinte e três. Minhas linhas de expressão não apareceram ainda e cada novo dia é uma busca irracional por aquela que vai me fazer ter uma crise histérica, eu sei, a minha primeira ruga.
Contra ela meu procedimento é precaução. Uso protetor solar com um número maior que o dermatologista recomendou e com um dispositivo anti-rugas moderníssimo. Já uso o Renew que eu só deveria usar ano que vem, procuro evitar a oleosidade, nunca a hidratação. Tomo sol o mínimo necessário à absorção de vitaminas, tenho uma alimentação recém saudável e sou muito, muito feliz.
De tudo o que eu faço para evitar rugas, ser feliz é, certamente, o método mais prazeroso de o fazer. E me falaram que eu ria demais quando me viram rir. E que essa minha gargalhada ia me deixar com vincos pavorosos nos cantos da boca. O comentário, certamente de quem não ri assim tanto e, por óbvio, não é lá muito feliz, me trouxe um momento de epifania insuspeitado.
As rugas e marcas de expressão que vierem de meus sorrisos hão de ser bem vindas. Não hão de me enfeiar o rosto que o MyHeritage disse 75% parecido com a Monica Belucci. O meu sorriso é vindo de amigos bem feitos e distinguíveis em multidões imensas cujas vozes eu reconheço entre gritos tumultuados que se escuta por aí. E reconhecer os amigos não é fácil pra ninguém, quiçá para uma princesa e eu já aprendi a reconhecer e não perdi o viço de fazer novos. De mais a mais, ser feliz é importante no caminho, por pior que ele seja. As rugas e linhas de expressão do meu rosto vão ser sorrir pra a vida, pro mundo, se vier uma de choro eu rezo e torço pra ser uma alegria que só sorrir não expresse em sua totalidade.
Eu quero fazer vinte e quatro anos com o mesmo frescor dos dezesseis, com o mesmo brilho no olho dos seis e o mesmo sorriso de sempre, eu bem sei que ele não mudou com o tempo. Eu quero continuar sabendo envelhecer, continuar respeitando a “força da natureza” que eu sou: amando desmedida e profundamente, aprendendo avidamente, ensinando humildemente, sorrindo francamente e sendo feliz, incomensuravelmente.
