quarta-feira, 28 de julho de 2010

O cabelo, a pinta e a nuca da pior motorista do mundo

Eu já contei aqui que conheci a minha esposa no consultório médico, quando fui com a minha ex fazer ultrassonografia do meu primeiro filho. Já contei de como eu consegui encontrar nela cada coisa que amei em todas as outras a quem amei. Já contei da minha filha linda que eu tenho com ela. Não contei ainda do meu filho, que ainda não curou o câncer e já me dá muito orgulho. Fica pra outra ocasião. Quero falar dos cabelos da Hellen, a minha esposa, porque quando eles não estão entrando no meu nariz e me fazendo cócegas eu durmo mal.

Se eu fosse dizer o que eu gosto mais nela, provavelmente seriam os cabelos. Aqueles cabelos compridos que não cabem no travesseiro dela, precisam invadir o meu. Ficam balançando no meu rosto quando fazemos amor e ela joga pra trás, aparentemente descuidada mas calculadamente de propósito para me deixar louco. Aqueles cabelos que ela jogou sobre a minha cabeça naquela nossa foto de praxe que tiramos na nossa primeira ida a Veneza, os que se mudam da escova de cabelo dela pro chão do banheiro e de lá para o ralo do chuveiro, os mesmos que entopem o ralo da banheira.

Só brigo com os cabelos dela quando encobrem a pinta que ela tem no seio branco e cheio, e por isso não perdoarei jamais aqueles cabelos. Não sei viver sem aquela pinta. E é só mais uma das tantas pintas que ela tem pelo corpo, que amo a todas, mas aquela pinta, a do seio, é a minha pinta. E talvez eu ame mais a ela que aos cabelos, gosto de como ela guarda o gosto da pele dela, de como ela desafia a minha língua em partidas em que ganhamos eu e a pinta, bem vejo que aquele pequeno pedaço de pele se diverte nas minhas investidas.

Devo ter tirado umas 500 fotos, com a minha velha câmera com filme – não me rendi ainda a maravilhosa era digital – e revelei eu mesmo no meu quarto de luz vermelha – que os jovens não conhecem, daquela pinta enquanto ela amamentava a minha filha quando ela nasceu, e agora fiz nova série enquanto ela alimenta o nosso pequeno príncipe, que já percebi que também é apaixonado pela pinta da mãe. Não digo que ele tenha herdado essa paixão de mim, sei que não foi: aquela pinta tem encanto suficiente para que ele, desde recém nascido, a tenha amado sozinho, vejo as pequenas mãos dele agarrando a pinta sempre que consegue, é meu filho, eu faço a mesma coisa.

Digo pra ela todos os dias que aquela pinta tem personalidade. Ela joga aquele cabelo pra trás e me sorri com aquela boca cheia de dentes que eu devo estar bem louco com aquele português com sotaque eslovaco dela. Eu sei que é verdade. A pinta dela me desafia em decotes, se recusando terminantemente a se conter num sutiã criminoso. Aquela pinta sabe do que me causa. A pinta, o cabelo e a nuca.

A nuca dela tem um cheiro de mel e frutas com mais alguma coisa. Tem cheiro da minha casa, tem o poder de me deixar no ponto ou de me fazer calmo, a depender da ocasião. A nuca e o pescoço dela que também se exaltam quando brigamos, são verdadeiros senhores de mim. E me desfaço por ela, porque eu encontrei nela a necessidade de não trair. E vocês bem sabem que eu nunca prestei.

Eu acredito que é possível que um Canalha não traia. Eu sou um exemplo disso. Meu compromisso maior sempre foi com o amor, e amei todas as que eu tive, ainda que em detalhes não muito fortes para durarem mais que uma noite. As que só me deram tesão só aconteceram quando não amava ninguém e tesão é digno tanto quanto o amor.

Essa semana um amigo me disse que a mulher que dá paz de espírito é muito rara pra ele, e o fez chorar numa noite dessas quando ele achou que era o fim. Ele também disse que adora um rabo de saia. Eu não sei dele com a mulher, só posso torcer pela felicidade do casal recém refeito. Mas eu não consigo ver o mesmo tipo de amor que tenho com a pinta da Hellen nisso. Não traí a Hellen. Nunca aconteceu. A pinta dela, a nuca, o cabelo, a cicatriz do joelho de quando aprendeu a andar de bicicleta, a voz quando ela canta, a risada quando eu faço cócegas e o café terrível que ela faz são as coisas que ela tem que me mantém cachorro domado, treinado, conhecedor do dono que tem.

A verdade maior é que quando eu amei a ela, foi a ela inteira. Há sim coisas nela que me irritam, mas amo a essas coisas também. E sinto falta do café ruim, do jeito como a voz dela fica aguda quando ela fica nervosa, mesmo quase nunca ficando nervosa. A mulher que me tem é serena, sempre foi. E mesmo eu não conseguindo entender quase nada do russo que brota da boca vermelha de lábios cheios dela quando fula comigo; me sentindo humilhado dela ser muito mais resistente a vodca do que eu; mesmo não sendo capaz de dizer que estão deliciosos as milhares de coisas gosmentas que ela me apresenta como comida e eu não reconhecendo em absoluto, apesar dela insistir que é frango; mesmo já tendo sido acertado pela fúria da TPM dela; mesmo ela sendo a pior motorista do mundo; mesmo que a mãe dela tenha literalmente feito vários despachos contra a minha pessoa e me acuse de tudo o que acontece de errado em todo o solo mundial, eu sei reconhecer que não é ela que é minha, sou eu que sou dela.

E eu sou contra qualquer ato que a faça acordar pra a vida e perceber que eu não sou bom o bastante pra ela, e por isso todos os minutos do meu dia são gastos em merecê-la. Amar, para mim, é isso. Nem a pinta, nem o cabelo, nem a nuca, nem tudo o que ela faz que me irrita merecem menos do que isso. Não dá pra se escolher certas coisas pra amar, e acredito sinceramente que amo mais os defeitos dela do que as qualidades. É muito fácil amar o que é bom, amor se mostra na adversidade. Amo a mulher a quem pertenço simplesmente porque não poderia ser diferente. E eu sei disso desde que a vi pela primeira vez. Ela e o cabelo, a pinta e a nuca. E amo sobretudo a péssima motorista e cozinheira que ela é.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Transtorno Disfórico Pré Menstrual

Quando eu tinha oito anos, a minha mãe foi parar no pronto socorro com fortes dores abdominais provocadas pelas cólicas menstruais. Ela não conseguia ficar em pé da maneira ereta. Junto às dores abdominais intensas, o transtorno disfórico pré menstrual sempre presenteava a minha mãe com uma cefaléia intensa, retenção de líquido, emoções aparentemente exageradas e dores várias pelo corpo.

Vejo muito por aí piadas maldosas sobre mulheres nesse estado. Sou um apaixonado pela condição feminina, simplesmente não vivo sem mulher perto de mim e sempre me irritou profundamente a injustiça do mundo com elas nesse aspecto. Tenho certeza que Deus, se existir, é mesmo homem e deve ser alcoólatra, viciado em alguma coisa e corno. Só isso ia justificar esse sadismo com uma criatura que diz que ama.

Como médico eu posso explicar a fisiologia da coisa, sei te dizer razões várias, mas eu preferia que fosse, como me disseram essa semana e não podia ser mais genial, que bom mesmo seria um aviso do corpo, que diria pra ir ao banheiro como pra fazer os números um e dois e seria a menstruação o número três. Tudo sem precisar do desconforto dos tampões.

Quem não entende que ela fique de mau humor porque vai sangrar não merece a mulher que tem. Quem não faz o que puder pra melhorar a vida dela nesses dias não merece a mulher que tem, seja ela a mulher que for. É preciso que se entenda que mulher nenhuma tem TPM porque quer. Ela não ta com ódio do universo porque ela quer. Você já se imaginou sofrendo com dia certo todo mês? Já se imaginou cagando uma melancia? Então, seja menos imbecil. Você já é um otário mal educado quando o seu time perde, quando ta bêbado, quando dorme mal, quando o chefe enche o saco.

Eu sou Canalha Filho da Puta pra muita mulher aí. Mas eu danço com a minha um forró arrochado porque eu sei que aquela porra dói mesmo e abdome com abdome alivia. E estou presente quando ela precisa, arrumo travesseiros pra ela ficar o mais confortável possível. Casa inteira tem graduação de luz por causa da cefaléia dela. É o mínimo. Muito mais ela faz por mim. Ainda não sei o que ninguém tão extraordinário quanto ela está fazendo comigo porque eu sou mais um canalha no mundo em que pouca gente vale alguma coisa. E ela vale. E eu sou o cara mais sortudo do mundo de poder ver o jogo com ela me trazendo cerveja e perguntando do resultado mesmo sem saber de que é o jogo ou quem ta jogando porque ela se importa comigo e não com quem ta ganhando. E eu sou duas vezes feliz de ser a pessoa a quem ela recorre. Se o seu namorado não compreende a sua TPM, acabe. Ele não precisa entender a sua dor, ele só tem que entender que você já está doendo. Não precisa ele dar mais coice. E se ele não consegue ser gentil com uma coisa corriqueira e irritante, ele não vai ser boa companhia quando você tiver um problema realmente grande.

Respeitem os ovários de vocês, já dizia a minha mãe.

Sem mais.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Como manter um canalha interessado III

Ontem fiz uma coisa que todo homem adora e deve fazer: cheguei em casa depois do trabalho, comi alguma coisa, tomei banho e fiquei o resto da noite pelado... tomei uma cerveja, joguei um pouco de video game, vi um futebol na tv e fui dormir...

Aí alguém pode perguntar: e o que isso tem a ver com o título do post? E a resposta é: Simples... todo homem, canalha ou não, precisa de espaço para fazer suas coisas de vez em quando... sozinho. E isso é fato. Não grude, não seja (ou pelo menos não pareça) piegas e não se humilhe... e terá uma maior chance...

ABracetas do Sir

segunda-feira, 29 de março de 2010

Sobre alguns emails

Eu tenho recebido emails nervosos de umas moças que, não todas, mas, no geral, parecem que tem certos problemas com o significado de algumas palavras.

Gostar de alguém, esse verbo mesmo, gostar, sei que não é o realmente utilizado nas mensagens, mas é de bom tom que eu não a use. Como eu ia falando, GOSTAR, verbo transitivo, é uma atividade solitária e egoística. Você gosta dele. E isso é uma coisa que você faz sozinha. Ah, ele dá corda? Você engole se quiser. Você não deixou de ter um cérebro.

Perceba que eu não estou dizendo que você pode escolher de quem se gosta, mas você pode escolher se quer se enganar numa coisa ou não. A verdade é que até o amor que você de fato vive, é idealizado pela idéia que você tem desse amor. É difícil encontrar quem viva o que tem e não o que quer ter. Aquele cara interessante que você conhece que nunca está com ninguém e tem milhares de moças desvairadas atrás dele pode simplesmente não querer ficar com ninguém. Simples assim.

As razões do seu gostar não ser correspondido são assuntos para outros posts. Não me cabe desvendar os mistérios. Estou dizendo que todo mundo que gosta, pode gostar a vontade. Tentem viver o sentimento, mas não percam a linha da dignidade porque pra recuperar depois dá muito mais trabalho do que fazer o cara gostar de você, por exemplo.

Outra palavra que pessoal se embola é RECIPROCIDADE. Reciprocidade é você mandar email, ele responder. É o cuidado mútuo, o “também gosto de você”. E isso é mais difícil. Não é uma coisa que precise ser reafirmada a cada quinze minutos com palavras, mas você precisa saber que existe pelos gestos. Não precisa ser uma mão de obra que te ocupe o dia, mas, clichês a parte, você tem certeza disso, entre várias outras situações, quando você precisa da pessoa. E precisar de alguém é sempre assustador demais pra mim.

quarta-feira, 17 de março de 2010

As mulheres da minha vida

Sou bom filho, enamorado de minha mãe desde o útero. Costumava achar que ela fosse invencível, mas sempre tive instinto de defendê-la de qualquer coisa. Meu pai, quando viajava, me dizia que era eu homem da casa e me dava a incumbência de zelar por ela e meus irmãos pequenos. Foi minha mãe o primeiro amor que tive. E de todos, o que não mudou ao longo da vida. Ainda acho ela linda, mas não a vejo mais como invencível, mesmo depois de um câncer. E ver que ela quase morreu por conta do câncer delimitou também minhas escolhas profissionais, eu ia estudar oncologia, mas minhas mãos hábeis no violão e numa boa cintura de mulher também se mostraram muito boas com instrumentos cortantes pra abrir gente.
Foi ela que me ensinou a amar o feminino, a “respeitar os ovários”, como ela diz. Ela que me ensinou a cozinhar, a tocar violão e gaita e a ser a pessoa certa quando eu encontrasse a minha mulher certa. É quando você deve mais que a vida a alguém, deve a personalidade. Deve quem você é. E ela faz as melhores tortas de maçã do mundo.
Também sou bom irmão, ou fui, nos pequenos seis anos que convivi com a minha irmã biológica. A minha primeira Ana da vida. Deu tempo de lhe ensinar alguns palavrões, um arremesso de Baseball e de ser seu par na quadrilha, matar insetos nojentos e cuidar pra que aquela pequena mulher que cabia a mim criar, já que o meu pai nunca estava em casa, tivesse uma vida confortável e fosse uma bailarina protegida no percurso de duas quadras até a escolinha de balé. Mas a hepatite levou a minha irmã e eu fiquei deprimido e fui até pra essas frescuras de psicólogo. Ficou o vácuo da ausência dela e eu não sabia o que fazer com aquele amor.
Então um dia o meu irmão bateu numa menina de cabelo assanhando, de tranças rebeldes. E a menina veio me dizer que ele batia nela todo dia. Tinha seis anos também. Tinha a roupa bagunçada, um livro na mão e um sorriso engraçado e banguela. Meu irmão tomou uma sova. Ela virou minha irmã. E primeira filha, melhor amiga, meu orgulho, minha preocupação, meu ódio sempre amor dobrado. E eu devo a ela um dos modos mais bonitos de gostar de alguém e se importar com outra pessoa de um jeito que corre na veia. A minha segunda Anna, porque Deus sabia que eu precisava de uma Anna na minha vida. De tudo nesses muitos anos de uma relação que a gente não sabe definir, a única coisa que não fizemos foi sexo.
Eu sempre via a Anna como a menina que veio me falar de confusão com o meu irmão. Anna é o meu negativo e o meu igual. Igual no gosto musical, mas o dela é melhor que o meu; igual no temperamento sereno e alegre, na vontade eterna de tomar sorvete que, a despeito de qualquer crise de garganta ou temperatura que não diminui nem passa. Ela tem esse sorriso em horas impróprias que faz o que é ruim não ser tão horrível. E tudo se torna muito claro atrás das lentes nos olhos perspicazes ávidos de leitura. A minha segunda Anna, que gosto de chamar de minha segunda chance é sempre uma entusiasta do que te faz crescer, e tem uma grandeza que me ensina a viver.
Dessa vez que vim a cidade dela a encontrei em casa com a tez corada de uma febre vinda de uma garganta comumente inflamada. Eu lhe disse que ela precisa rir menos, ai fica menos tempo de boca aberta pra entrar bactéria. Ela respondeu que rir valia à pena, e é esse o tipo de pessoa que ela é. Uma das minhas ex uma vez perguntou por que eu e a Anna nunca nos envolvemos, eu disse que era imune aos encantos do bico dela. A ex disse que é porque eu sou mais apaixonado que todos os outros. E se eu fosse imune aos poderes do bico dela, não teria chamado tanta atenção pra ele, certo?
E dessa vinda minha, foi a primeira vez que eu vi que a minha menina cresceu. Não que meu instinto protetor tenha diminuído por capaz que ela é de se defender sozinha, mas ela tem me surpreendido com objetivos mais adultos. Ela quer contas de água, luz, telefone e IPVA no nome dela. Não dá pra ser mais adulto que isso. Não que tenha passado qualquer de seus desejos infantis, mas tem alguma coisa no olho dela que me diz que ela é uma mulher agora, e que eu preciso me acostumar com isso. Também diz que a moleca ainda ta lá, tanto que a levei pra tomar grandes quantidades de sorvete - de limão e passei com ela na cacunda, como ela diz.
Também percebi na minha menina que eu fiz péssimo negócio quando a apresentei pro Chico Buarque. Ela cresceu ouvindo e isso moldou o caráter dela. Anna é de uma sensualidade das pequenas coisas. Gosta que os homens sejam homens pra ela ser mulher, palavras dela. Sente que gosta e fala, e isso ela me ensinou, no final das minhas cotas de canalha, aprendi mais a conquistar com ela do que ela comigo. Ela diz que o homem da vida dela é do tipo que ensina a criança a andar de bicicleta, coloca a prateleira na parede e faz amor no chão da cozinha, tudo no mesmo dia e antes do almoço. Eu acho graça da força da declaração. Mas reconheço que combina com essa Anna que a minha menina se tornou. Honesta com ela. Franca com todo mundo. Linda fazendo bico quando se distrai. A Anna é do tipo que dobraria o Sean Penn. Ou qualquer bad boy, tipo Russel Crowe e Johnny Deep que ela gosta tanto. Ela provoca uma reação nas pessoas, fica na pele da gente. Ela é um fogo que acalma, ela traz paz. Polariza a sua vida. Polarizou a minha e de outros caras que eu conheço. E eu tenho muito orgulho da mulher que ela é e de fazer parte disso.
Já contei aqui como eu conheci a minha esposa. Não é novidade. E como eu já disse aqui também, ela reúne sozinha todas as coisas que eu já amei em todas as mulheres que tive. É uma mãe incrível, uma péssima cozinheira, tem a nuca mais deliciosa que eu já vi e é uma cirurgiã pediátrica tão capaz que me envergonho de ter ficado menos sensível com os meus pacientes. Ela se envolve. E me surpreende com a calma nas horas difíceis e com um companheirismo que eu quase não aprendo a conviver. E ela tem o dom de me fazer falar, de me fazer dormir bem a noite e sou capaz de qualquer coisa pra fazer ela dormir bem a noite. E ela faz tudo isso com aqueles olhos verdes enormes. Eu amo você, Ruiva.
A terceira Anna da minha vida ainda não trocou os dentes e me ensina que eu não estava tão errado sobre o amor, mas que amar não é tudo. É preciso saber soltar pipa, ser bom professor de natação, saber músicas sobre coelhos em árvores pra amarrar cadarços e músicas que adultos não ouvem. Ela me faz rever conceitos preconceituosos sobre adultos vestidos de dinossauros roxos, não é só bizarro, é chato também. Sou um pai orgulhoso de uma filha que não gosta do Barney. E ela gosta de jogar bola comigo. E eu me vesti de príncipe encantado no aniversário dela porque ela não parava de chorar. Eu perdi o prumo quando adoeceu da mesma hepatite que levou a minha primeira Anna e que a segunda Anna também teve e escapou, mas isso não me tranqüiliza. E de tudo o que eu faço no meu dia, o que mais vale a pena é a ronda noturna pra ver se ela ta dormindo bem, a minha bebê que não gosta da Xuxa e escuta Sinatra como canção de ninar. Vai crescer muito pior do que eu. E melhor também. Meu futuro há de ser tempestuoso.

UM CONTO DE AMOR

- Você me ama?
A pergunta atirada assim, à queima-roupa contra meu peito nu, quebrando o sagrado silêncio do pós-coito, naquele quarto vagabundo de motel.
- Meu amor é algo que não se deve questionar.
Respondi, propositalmente ambíguo, encarando o retrato distorcido dos nossos corpos nus refletidos no teto.
- Se não pode dizer, é porque não sente...
A cara de súplica dela me deu um troço esquisito por dentro, mais como se fosse uma raiva de mim, ou do que não sei dizer. Levantei, vesti a calça, deixei a camisa e os sapatos no chão, ao lado da cama. Sem dizer uma palavra, apanhei o maço de cigarros e me afastei devagar, como se estivesse saindo apenas para fumar fora do quarto. Na soleira, ao fechar a porta, ainda pude vê-la, me encarando com olhinhos de cordeiro.
...
No carro, a caminho de casa, pensei distraído: - “Porra, eu gostava daquela camisa...”.
No rádio, os primeiros acordes de STAIRWAY TO HEAVEN...

quarta-feira, 10 de março de 2010

Como manter um cara interessado II

Minha avó sempre dizia (mentira, ela nunca disse isso) "as pessoas só se interessam pelo o que elas perderam ou pelo que demoraram para conquistar". Eu não tenho como discordar disso, principalmente se tratando de mulheres.

Logo explico, senhoritas. O homem é um desbravador, e absurdamente curioso. Uma mulher que cai no óbvio jamais interessaria um homem, pelo menos aqueles que você não teria vergonha de apresentar para as amigas. Nós buscamos nos aventurar, desvendar o desconhecido, encarar a vida como um quebra-cabeças, cada um a seu modo, e construir as peças parte por parte.

Como bem observado pelo canalha do post anterior, "como manter cara interessado" já indica que a vítima o homem já encontra-se com algum interesse pela moça. Isso já é um bom sinal, se você conseguiu manter um homem interessado, meu parabéns. Mas aqui é onde a maioria das mulheres escorregam, e a queda é feia.

É importante, caso você realmente queira mantê-lo interessado, saber dançar conforme o ritmo da música. Se nós estamos aos passos de uma valsa sedutora, você deve acompanhar no mesmo passo, e não buscar um forró arretado, e o mesmo vale para o contrário: cada um possui o seu ritmo, e você deve explorar os limites de cada um, mas jamais tentar mudá-lo.

Seduza-o, mas sem parecer vulgar. Brinque, jogue indiretas, morda os lábios - sedutoramente, e não como se você estivesse passando mal, treine na frente do espelho. Sinais de interesse são importantes para nos encorajar a seguir em frente, pois se percebermos que o caminho não levará a lugar algum, iremos tomar um novo rumo.

Sexo: não prende ninguém. É gostoso, é legal, mas não será isso que vai manter ele com os olhos em você. O que não quer dizer que você deva fazer um voto de castidade. Seja inconstante, mas não muito para ele não pensar que você não possui o mínimo de bom senso. É preciso se manter no equilíbrio entre os extremos do excesso e da falta, oscilando no momento certo, quando necessário.

Provoque, mantenha o mistério, faça ele tentar adivinhar seu próximo passo, a curiosidade não possui limites. Mas não dê atenção o tempo todo, ou ele irá enjoar, isso se não se acomodar com sua disposição constante para seus caprichos. Deve haver um equilíbrio. Em geral, gostamos de guiar os compassos da dança, então liberte-se. Nos deixe guiar você, ou ao menos nos faça acreditar nisso.